Texto · 05 de novembro de 2026
O que levar na primeira consulta com o clínico geral
“Deixei os exames em casa, mas estava tudo normal.” Escuto essa frase com frequência, e entendo: parece que exame normal não acrescenta nada. Acrescenta, sim. Saber que a creatinina era 0,9 há dois anos e hoje está em 1,3 muda a leitura do exame de hoje, mesmo que os dois números estejam dentro da faixa do laboratório.
A primeira consulta com o clínico dura cerca de uma hora, e boa parte desse tempo é para reconstruir a sua história. Quanto mais material você trouxer, mais o tempo vai para pensar e menos para tentar lembrar.
Os seus remédios, todos
Traga as caixas ou fotos delas. Vale tudo o que você usa: remédio de uso contínuo, o que você toma só às vezes, anticoncepcional, colírio, pomada, vitamina, suplemento, chá, fitoterápico. A dose e o horário importam tanto quanto o nome.
Faço questão disso porque remédio explica sintoma com mais frequência do que se imagina. Alguns remédios de pressão causam tosse seca, alguns diuréticos baixam o sódio, alguns suplementos alteram exames de fígado e de tireoide. E duas receitas de médicos diferentes às vezes trazem o mesmo princípio ativo com nomes comerciais distintos.
Exames antigos, mesmo os normais
O ideal são os exames dos últimos dois anos, de sangue e de imagem. O que me interessa é a tendência: um valor que sobe devagar, uma hemoglobina que vem caindo, um nódulo que já tinha sido visto e não cresceu. Um exame isolado diz pouco; três exames em sequência contam uma história. Se você recebeu um resultado com alguns asteriscos e ficou preocupado, escrevi sobre como ler os exames de rotina.
Relatórios de outros médicos e de internações
Receitas e relatórios dos especialistas que você já consulta, resumo de alta de internação, descrição de cirurgias. Se você tem cardiologista, endocrinologista e ortopedista, juntar o que cada um disse é parte do meu trabalho, e eu só consigo fazer isso vendo os papéis. É o que chamo de coordenação de cuidado.
Medidas feitas em casa
Se você mede pressão ou glicose em casa, traga as anotações ou o aparelho com a memória. Uma semana de medidas em casa vale mais do que uma medida no consultório, onde muita gente fica tensa e a pressão sobe. Explico melhor no texto sobre pressão alta.
A história da sua família
Este item não cabe numa pasta, mas vale preparar antes. Converse com os parentes e anote quem teve infarto, AVC, diabetes, câncer ou demência, e com que idade. O pai que infartou aos 50 pesa diferente do avô que infartou aos 85, e essa diferença muda o que eu peço e o que eu recomendo.
A carteira de vacinação
Quase ninguém traz, e quase todo adulto tem alguma vacina atrasada. Uma foto da carteira já ajuda.
Suas perguntas, por escrito
Anote as dúvidas antes de sair de casa. No consultório, a conversa toma outros rumos e a pergunta que mais te incomodava fica esquecida. Comece pela mais importante: o que você mais quer resolver nesta consulta?
Se a consulta for uma avaliação pré-operatória, traga também o nome da cirurgia, a data prevista e o contato do cirurgião.
Para não esquecer nada, deixei uma lista para imprimir, com uma tabela para anotar os remédios, na página para pacientes.
Exame normal também é informação. Traga.