Avaliação pré-operatória
Quase sempre a pessoa chega ao pré-operatório com a cirurgia já marcada e uma frase pronta: “Só preciso que o senhor me libere.” Entendo. Mas liberar é a menor parte do trabalho. O que faço nessa consulta é procurar riscos que dá para reduzir antes da operação e deixar combinado, com você, com o cirurgião e com o anestesista, o que fazer com cada um.
O que eu avalio
Três coisas. O porte da cirurgia, porque uma catarata e uma cirurgia de quadril têm riscos muito diferentes. Como estão seu coração e seu pulmão na vida real: subir dois lances de escada sem parar diz bastante. E as doenças e remédios que você já tem, como hipertensão, diabetes, doença renal, apneia do sono ou uso de anticoagulante.
Sigo como referência a diretriz de 2024 do American College of Cardiology e da American Heart Association para avaliação perioperatória em cirurgia não cardíaca, além das orientações das sociedades de anestesiologia.
Exames
Dependem dessas três coisas. Em cirurgias pequenas, em pessoas saudáveis, muitas vezes nenhum exame muda a conduta, e pedir uma bateria completa por rotina não reduz complicações. Quando um exame vai ajudar a decidir algo, eu peço e explico o motivo.
Remédios
Alguns precisam de ajuste antes da cirurgia, e a decisão é individual: anticoagulantes e antiagregantes, remédios para diabetes como dapagliflozina e empagliflozina, canetas como semaglutida e tirzepatida, entre outros. Não suspenda nenhum remédio por conta própria; traga a lista completa e decidimos juntos.
O que levar
- Lista de todos os remédios e suplementos, com dose e horário (ou as caixas)
- Exames dos últimos 12 meses
- Relatórios de outros médicos que acompanham você
- Nome da cirurgia, data prevista e contato do cirurgião
Depois da consulta
Você e o cirurgião recebem um relatório com o risco estimado, o que fazer com cada remédio e o que vale ajustar antes da operação. Se for preciso, converso diretamente com a equipe cirúrgica.