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Dr. Fernando Salvetti ValenteClínica Médica

Texto · 05 de novembro de 2026

Vitamina D: precisa dosar? O que diz a diretriz de 2024

Quase toda semana chega alguém com um resultado de vitamina D em 22 e a pergunta: “Doutor, preciso tomar?”

Minha primeira pergunta é por que o exame foi pedido. Só depois olho o número. Se a pessoa não tem osteoporose, não tem doença renal, não fez cirurgia bariátrica e não tem nenhum problema que atrapalhe a absorção dos alimentos, esse exame provavelmente não precisava ter sido feito. Pedir virou hábito.

O que os grandes estudos mostraram

Durante anos, estudos observacionais mostraram que pessoas com vitamina D baixa tinham mais fratura, mais câncer, mais infarto. Isso fez muita gente concluir que repor a vitamina preveniria essas doenças. A forma de saber se a conclusão estava certa era testar.

O maior teste foi o estudo VITAL, publicado no New England Journal of Medicine. Quase 26 mil adultos acima de 50 anos receberam 2.000 unidades de vitamina D por dia ou placebo e foram acompanhados por cerca de cinco anos. A vitamina D não reduziu câncer nem infarto, AVC ou morte cardiovascular (2019). Numa análise do mesmo estudo publicada em 2022, também não reduziu fraturas em quem não tinha deficiência conhecida nem osteoporose.

Em outras palavras: a vitamina D baixa costuma acompanhar quem tem mais doença, mas repor a vitamina não mudou o destino dessas pessoas.

O que diz a diretriz de 2024

Com base nesses estudos, a Endocrine Society publicou em 2024 uma diretriz sobre vitamina D para prevenção de doenças. Ela sugere não dosar vitamina D de rotina na população geral, e isso vale também para pessoas com obesidade e de pele mais escura, que antes costumavam ser testadas. O motivo é simples: não há estudo mostrando que dosar e tratar com base no número melhora a saúde, nem há um valor-alvo comprovado.

A diretriz não diz que a vitamina D não serve para nada. Ela sugere suplementar, sem precisar de exame, em alguns grupos: crianças e adolescentes, adultos com 75 anos ou mais, gestantes e pessoas com pré-diabetes de alto risco. Para adultos saudáveis com menos de 75 anos, sugere não tomar doses acima das recomendações diárias de ingestão.

Quando eu peço o exame

Peço quando o resultado muda alguma decisão. Isso acontece em quem tem osteoporose ou fratura por fragilidade, doença renal crônica, cirurgia bariátrica, doenças que atrapalham a absorção intestinal ou alterações do cálcio no sangue. Nesses casos o número orienta o tratamento.

Fora dessas situações, o exame costuma gerar um tratamento que não traz benefício e, às vezes, doses altas tomadas por conta própria por meses. Dose alta sem acompanhamento pode elevar o cálcio no sangue, e isso, sim, faz mal.

O que vale mais a pena

Se a sua preocupação é com os ossos, conversar sobre quedas, força muscular, exercício, cálcio na alimentação e, a partir de certa idade, densitometria costuma render mais do que o número da vitamina D. Falo sobre os exames que fazem sentido no texto sobre check-up e na página de check-up com critério.

Às vezes a resposta mais útil da consulta é esta: não precisa. Nem do remédio, nem do próximo exame.